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Área de estudo

A ARIE (Área de Relevante Interessante Ecológico) PDBFF, decretada pela Presidência da República, através do Decreto no 91.884 publicado no Diário Oficial da União do dia 05 de novembro de 1985 constitui-se de um mosaico de fragmentos florestais localizado na Amazônia Central Brasileira, cerca de 80 km ao Norte da cidade de Manaus, AM (2o 30' S, 60o O). Está situada em média a 100-150 m acima do nível do mar e apresenta precipitação média anual de 2.200 mm com uma pronunciada estação seca de julho a outubro. A vegetação local é denominada floresta de terra-firme (floresta sazonalmente não inundada). O dossel da floresta alcança 30-37 m de altura, com algumas árvores emergentes alcançando 55 metros. A área está inserida em uma paisagem fragmentada que cobre aproximadamente 1000 km2 e está circundada por grandes extensões de floresta contínua nas faces Norte, Leste e Oeste. A área é composta por 16 reservas, onde sete são reservas demarcadas dentro de áreas com floresta contínua e nove são fragmentos florestais, circundados por pastagens e vegetação em regeneração. Os fragmentos de floresta possuem tamanho de 1, 10 e 100 ha, enquanto as áreas demarcadas na floresta contínua tem tamanhos que variam entre 1 e 10.000 ha.
Parte da área, coberta originalmente por florestas maduras foi derrubada e queimada no início dos anos 1980 para a criação de pastagens e, como área de reserva legal foram deixados alguns fragmentos florestais a cerca de 70 ou até 650 m distantes das bordas das florestas contínuas (para maiores detalhes acesse http://pdbff.inpa.gov.br/instituto1p.html ). Devido à diminuição na produtividade dos pastos ao longo dos anos, as áreas foram sendo gradualmente abandonadas e atualmente áreas de florestas secundárias dominadas pelos gêneros Cecropia e Vismia vêm aumentando no entorno dos fragmentos.

 

Metodologia de monitoramento

Atualmente o PDBFF monitora permanentemente a vegetação de 94 hectares de floresta de terra firme, com dois objetivos principais:
1 – Avaliar os efeitos da fragmentação florestal sobre a vegetação arbórea (plantas com DAP > 10cm)
2 – Estudar a dinâmica da vegetação (plantas com DAP > 1cm) da floresta de terra-firme da Amazônia Central.
Para medir os efeitos da fragmentação florestal sobre a vegetação arbórea, o monitoramento é realizado em 69 parcelas permanentes de 1 hectare (100x100m). Das 69 parcelas monitoradas, 39 estão em fragmentos florestais e 30 em áreas de floresta contínua. Em cada parcela todas as plantas com mais de 10 cm de diâmetro a altura do peito (DAP) são marcadas e identificadas.
Para estudar a dinâmica da vegetação florestal é realizado o monitoramento de uma parcela de 25 hectares (500x500m), demarcada em uma área de floresta contínua. Para este estudo é acompanhado o crescimento em diâmetro, a mortalidade e recrutamentos de todas as plantas que tenham mais de 1 cm de diâmetro na área delimitada.
O monitoramento é realizado em intervalos de 5 anos onde todas as plantas marcadas são novamente medidas. As plantas que atingiram o diâmetro à altura do peito (DAP) mínimo são também marcadas e medidas. Informações sobre mortalidade e danos presentes nas plantas são registradas.
Nos dois estudos para cada nova planta marcada é feita a coleta de material botânico para herborização. As amostras coletadas são levadas para a sede do PDBFF em Manaus, para que sejam identificadas. Em Manaus, o PDBFF mantém uma coleção de referência com todas as morfoespécies registradas na área de estudo, visando facilitar o processo de identificação do grande volume de material coletado. As amostras de plantas são identificadas com auxílio dessa coleção e do acervo do Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Quando não é possível identificar o as plantas dessa forma, duplicatas das amostras (quando férteis) são enviadas aos especialistas por intermédio do Herbário. As coletas que apresentam alguma estrutura reprodutiva são depositadas no Herbário INPA (fiel depositário da região), ficando apenas uma duplicata em nossa coleção.

Como os protocolos de monitoramento da vegetação adotados prevêem a coleta do material botânico logo em seguida ao monitoramento, na grande maioria das vezes a planta é coletada sem estruturas reprodutivas. Essa é a razão pela qual muitas morfoespécies ainda permanecem sem identificação, apesar da ARIE PDBFF ser uma área intensivamente estudada por tanto tempo. Além disso, o fato da Amazônia ser a região com a maior diversidade de espécies arbóreas do planeta, e ainda apresentar uma flora com muitas lacunas de conhecimento e pouco trabalhada taxonomicamente, torna o processo de identificação de plantas mais difícil.